quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Eu e o Black Sabbath - Uma paixão antiga


"On a small world, west of wonder
Somewhere, nowhere all
There's a rainbow that will shimmer
When the summer falls
If an echo darts in dancer
When it hears a certain song
Then the beast is free to wander
But never seen around

And it's the Sign of the Southern Cross
It's the Sign of the Southern Cross"

(BLACK SABBATH - "The Sign of the Southern Cross")

Por Marcos Garcia


Apesar das muitas racionalizações e teorias acadêmicas, advogo que o Heavy Metal surgiu pelas mãos da Bruxa de Birmingham o quarteto BLACK SABBATH, o qual conheci ainda em 1985.


Óbvio que já conhecia a banda de nome, mas meu primeiro contato foi em uma revista pôster da banda. Ela tinha na capa a arte de “Live Evil”, e era daquele tipo que era toda dobrada, e abrindo, tinha um pôster de Ozzy da época de “Diary of a Madman”.

Eu estava indo para escola. Havia acabado de entrar para o antigo Segundo Grau, e estudei no Colégio Estadual de Magé (que até então era uma referência aqui na cidade). Interessante que na prova de ingresso (coisa que existia na época e acredito que deveria ter continuado existindo), entre uns 500-700 candidatos, eu passei em 35 lugar, e tive direito a escolher qual curso. Entre Técnico em Contabilidade, Formação Geral e Formação de Professores, optei pelo último, já que na época eu não era chegado em Matemática (assim o primeiro foi descartado), o segundo não me daria formação específica e só me restou o terceiro (algo que me arrependi depois).


Voltando à revista, ela continha a biografia da banda (com alguns erros) até a saída de Ian Gillan, sem seguir adiante. Eu passei na banca, usei o dinheiro da merenda e comprei a revista (sobraram uns trocados, e comprei uns doces). Valeu o gasto, pois as fotos, a história do Pai do Metal estava sendo contada para mim.

É incrível pensar que criei dali uma sinergia com a banda enorme, e só fui conseguir ouvir o BLACK SABBATH quando fiz um curso de programação em Basic no segundo semestre de 1985. Passei em uma loja em Duque de Caxias (onde ia ao curso todas as sextas), e todos os discos da banda haviam sido relançados. Pedi ao cara da loja para ouvir o “Paranoid”, e justamente a faixa mais icônica do disco: “Iron Man”.

Nunca mais fui o mesmo.


Apesar de não poder comprar o disco (acreditem: meu primeiro disco deles eu fui ter quando comecei a trabalhar em 1986, e foi o “Born Again”, pelo qual sou apaixonado até hoje), o BLACK SABBATH me seduziu de tal forma que, diferente de muitos, eu não escolho uma fase. Tá, eu sou mais fã dos discos com Ronnie James Dio, que é meu vocalista favorito. Mas nunca desprezaria “Black Sabbath”, “Paranoid”, “Vol. IV”, “Sabbath Bloody Sabbath” ou o “Sabotage”. Eu tenho todos eles hoje em dia, e apesar de “Technical Ecstasy”, “Never Say Die” e “13” não me descerem, os tenho da mesma forma, em respeito pelo que o grupo representa para mim. Gosto de Ian Gillan no “Born Again” (como eu disse, é o primeiro disco da banda que eu tive), a fase de Tony Martin eu acho soberba (especialmente “Headless Cross” e “Cross Purposes”), e mesmo o disco solo de Tony, “Seventh Star” (nem adianta teimarem, pois o vejo dessa forma), é perfeito. Por isso, não entendo essas picuinhas por aí. Sinto muito, mas quem gosta de uma fase apenas é uma Diete, Ozzete ou outro que queiram. Eu sou fã do BLACK SABBATH, de cada uma das encarnações da Bruxa.


Sobre o fim da banda: eu só agradeci. Sim, agradeci, pois de um garoto de 15 anos que sofria bullying sem poder revidar (porque lembrando que nas áreas de educação, o aluno de Formação de Professores deve ser “exemplo para os outros”, e eis o motivo de eu querem mandar Paulo Freire e seus seguidores irem tomar no olho seco do centro do rabo) até o homem de 47 anos, que teve vitórias (e muitas derrotas), os hinos do BLACK SABBATH foram confortos que tive...





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